O Bom Combate
O BOM COMBATE - 16/06/2008
Despedimo-nos, emocionados, nestes fins d’água do bom inverno de 2008, precisamente numa manhã ensolarada de domingo, na Terra de Alencar, Messejana, de uma ilustre cidadã de nossa comunidade, nossa caríssima Tia Zoé.
Uma das poucas pessoas que nos motivam a seguir seu exemplo, no tocante ao desprendimento que deve ser comum a todo ser civilizado. No trilhar do caminho que leva à luz, uma militante que soube dosar tão bem a premissa básica do ser humano, tão decantada pelos pensadores, a de que o homem busca o prazer e foge do sofrimento.
Muitos podem pensar que a fuga do sofrimento conduz ao prazer. Poucos tem a certeza de que são duas coisas distintas, apenas interligadas. Feliz é a pequena minoria que acredita no último.
Tia Zoé foi exemplo de desprendimento quando abdicou de prazeres e vaidades e seguiu em busca da luz, do conhecimento tão necessário à conservação da espécie, traduzida em sua permanência junto aos filhos em sua formação acadêmica – onde teve pleno êxito.
Sua presença física permanente possibilitou a correção de fatores que constantemente impedem o sucesso dos jovens que tentam uma melhor formação profissional. Com isso cumpriu sua primeira missão, formando os filhos Ana Célia e Antônio Carlos, além de dedicar abnegada atenção a seu filho Antônio César, seu companheiro até seus últimos momentos.
E em sua caminhada pessoal dividiu louros e agruras com seu marido Ernesto, a quem dedicou especiais cuidados até o final de seus dias, sendo alvo de comentários em sua comunidade a forma como era tratado, sempre bem pronto, bem humorado e a ler o seu jornal diário, deixando transparecer seu cuidado e dedicação. Conheci Tio Ernesto, convivi com ele e sei que ele era feliz, portador de título do dever cumprido por criar família honrada.
Tia Zoé combateu o bom combate, segundo as belíssimas palavras ditas em sua despedida, pelo seu parente e amigo Osmar Diógenes, que foi inteiramente feliz em tudo quanto ali falou, transmitindo sinceridade e nobreza a todos quantos o escutavam.
E agora nos deixa uma saudade, de vê-la andando pelas ruas de Santa Quitéria, sempre de cabelo preso. O mesmo cabelo que cobria com um lenço e viajava à Fortaleza, terra dourada de seus sonhos, onde tinha um batalhão de amigos e parentes. O mesmo cabelo que, imagino, estaria preso ou solto ao vento, a galope de um cavalo pelas pradarias da Fazenda Calabaço, rumo à Santa Quitéria, a buscar socorro para o sobrinho que nascia. O cavalo não resistiu ao final da missão, mas a missão foi cumprida, como todas as suas missões foram cumpridas, Tia Zoé.
Porque a senhora combateu o Bom Combate.
Heraldo José.
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