Editorial - Heraldo Medeiros
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Heraldo Medeiros é autodidata e fundador do Instituto Pró Memória. Email: heraldo@institutopromemoria.com.br |
Uma Visão Distorcida - 12/02/2008
A palavra ou expressão "social", inclusive seus derivados, tipo "sociedade", vem sendo, parodiando Lulu Santos, a passos de formiga, mas com vontade, trazida a termos.
Em algumas cabeças, em alguns lugares e em certas conotações, ainda encontramos quem confunda sociedade com a elite monetária ou intelectual que domina aquele ou este nicho.
Felizmente a visão do social, da coisa do convívio entre seres humanos agrupados em torno de uma urbe, de uma nação ou até mesmo de um país ou continente, hoje está ficando um pouco mais focada ou definida.
É imperioso acordarmos um grande pacto, realmente necessário, onde o lado das necessidades seja colocado. Não adianta esquecermos o grande equilíbrio universal, tão propagado na tradicional física Newtoniana, através das leis de ação e reação, quanto nas modernas teorias quânticas, onde a imprevisibilidade é colocada como um novo ingrediente, voltando à tona o livre arbítrio, vinculado às ações do fazer ou não fazer.
Levando em conta o fato de que os seres humanos tem necessidades específicas, previstas no projeto inicial da criação, seria absurdo imaginar que somente um processo de seleção natural resolveria os problemas em sua totalidade - o que seria, desde só, uma selvageria. E levaria milhões de anos até atingir o objetivo, enquanto que as necessidades surgem diariamente. Daí nossa grande diferença - Somos humanos!
Somente o próprio homem, dotado de uma criação oriunda de um projeto de tecnologias altamente avançadas - até para a nossa melhor bio-mecatrônica - e fruto de criação divina, pois assim podemos chamar nosso criador, pode tirar os paralaxes dessa visão distorcida do social, focando em seu verdadeiro sentido: a necessidade de conviver e fazer prosperar o projeto da criação, levando a humanidade em busca da luz.
Os medos e a impotência dos feudos tribais levou à mistificação e à preconização do pecado, na eterna luta do bem contra o mal. Durante muito tempo este preceito conteve a sociedade, algumas vezes só, depois com a ajuda de armas, cruzadas, guerras e dando origem às leis, indistintas, de quaisquer países ou credos.
Muitos passaram a conviver, então, baseados em medo. O primeiro, o medo de pecar. Em seguida, o medo de transgredir a lei e ser punido. Quando tudo foi ficando mais fraco, os dois ficaram juntos, voltando a conter. Mas ainda existia um ponto fraco: os que pregavam nem sempre praticavam. E a humanidade seguiu editando novas variações dos dois princípios, onde os dois caminhavam unidos, paralelos ou antagônicos - feito uma moderna "layer" de um moderno disco de duas camadas.
Virando e mexendo na frigideira do tempo, não aqui estamos para falar de quem já morreu e foi importante, ou para dizer que o bairro Fulano deu origem ao distrito Beltrano. Precisamos definir o social, mapeá-lo "geneticamente" para descobrirmos que somos todos humanos, embarcados no mesmo planeta, oriundos do mesmo "bang", e que, para sobrevivermos, necessário se faz sermos corretos, direitos.
Sermos corretos, direitos, não é mais uma simples questão de medo. Uma nova consciência, fruto da evolução do conhecimento, fruto do "upgrade" de nossa geração, acredita que ser correto é uma necessidade de sobrevivência.
Tudo tem que ser regido por algum tipo de organização. A opção do bem é a de todos, por unanimidade. Mas alguns são levados a outras opções, por falta de oportunidades, por contingências específicas, mas nunca por índole proveniente da espécie humana. Afirmar isso, que se nasce "ruim", é desacreditar no projeto da criação humana.
As mínimas exceções podem ser exemplificadas como modernos programas de informática avariados pela ação de vírus, alguns passíveis até de total recuperação - mas que não devem ser o espelho da humanidade. Nós buscamos a luz!
Com tanta gente boa, com tantos "buscando a luz", por que, então, tantos problemas, tanta violência? Pela simples falta de caso ao social que fazemos, quase todos nós, no nosso dia-a-dia.
Pretendemos provar que todos os seres humanos normais buscam o bem, querem ser "bacanas". Veja o exemplo do marginal (clássico, mas verdadeiro) que quer sempre um bom colégio para o filho, quer que o filho se forme, etc. Não queremos dizer que ele consiga isso (quase sempre não consegue), mas tem sempre as mesmas razões: falta de oportunidade, falta de consciência e de competência da sociedade em tratar do problema dele, além dos preconceitos formados.
E isso se reflete nas menores ações anti-sociais que praticamos no nosso cotidiano. Quantas vezes nos gabamos em casa, com os amigos, que "demos um jeitinho" e "arranjamos a vaga" (Um emprego!!! Que grave!!!) de alguém para o nosso filho, o nosso apadrinhado, sabemos lá...
Esquecemos, no entanto, de verificar se aquele que deixamos fora do mercado, sem emprego, conseguiu suportar noites de fome para si e sua família, muitas vezes até filhos pequenos. Será que ele foi assaltar? Ou será aquele outro que cometeu suicídio?
Realizar o social não é tarefa fácil. Ainda no exemplo anterior, onde ficaria nosso filho, ou apadrinhado, se fosse o caso de ele perder o emprego? Mas é a história do copo descartável jogado em via pública que entope o esgoto e volta em forma de inundação para a nossa casa. Se o lixo é nosso, devemos cuidar dele, não repassar o problema. Ôpa, ôpa, ôpa! Isso já é ser social.
Vamos cuidar dos nossos? É até bíblico (Mateus, primeiro os teus), embora nunca tenhamos pensado no uso por este prisma. Está também expresso em vários outros livros sagrados para outras religiões (citei a bíblia por ser a única a que tive acesso, dada a minha formação).
Então! Vamos empacotar o nosso lixo e reciclá-lo. Vamos repensar a nossa visão de errado e saber que não devemos cometer algo ruim, simplesmente pelo fato de NÃO SER CORRETO, de NÃO SER JUSTO PARA OS DEMAIS. Nunca por medo. Sempre por convicção. Ser bom porque ser bom É BOM. Ninguém quer uma nota falsa de dinheiro. Ninguém quer uma fruta bichada. Ninguém compra um carro que não presta. O trânsito não funciona se não for organizado. Um avião não voa quebrado. Então, ser bom é questão de existir, de sobreviver.
Sejamos, pois, sociais. Convivamos com os demais. Podemos ter propriedades, podemos ter nosso carro bonito, até nosso avião! Mas devemos fazer algo pelo social. Devemos ajudar alguém em dificuldade, não para dizer que o ajudamos, mas pelo fato real de que ele é vivo, mora conosco no planeta e tem os mesmos direitos à sobrevivência, sendo, pois, uma questão prática o fato de ajudá-lo, evitando a tensão social causada pela sua marginalização.
Ninguém ajuda ninguém. Todos se ajudam. Vamos reeditar? "Um por todos, todos por um". Lembra?
É urgente repensar nossa conduta, analisar conceitos, agendar eventos e começar já a atuar. Em nossa casa, com nossos funcionários, em nossa comunidade, em nossa profissão, identificando pontos e carências, agendando ações e articulando os amigos e colaboradores.
A grande onda do social já desponta no mar de descaso em que a humanidade navegou durante milênios. Pranchas a postos! Vamos para a crista da onda, que certamente nos levará para uma praia, onde muita gente já nos espera e já nos filma, torcendo para que sejamos vitoriosos.
Nossa luta é pelo social.
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