Discurso da Dra. Elita na Festa de Inauguração do Museu de Santa Quitéria
Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal de Santa Quitéria, Dr. Tomás Antonio de Albuquerque Figueiredo de Paula Pessoa, Sr. Diretor do Museu de Santa Quitéria, Antonio Egberto de Mesquita Lobo Filho, componentes outros desta egrégia casa, que se instalou em Santa Quitéria no governo do Dr. Tomás Figueiredo.
Todo esse povo que faz esse Secretariado, todo esse povo que se desdobra e procura fazer Santa Quitéria andar, aparecer, reproduzir, ser uma cidade diferente, e sempre ser a cidade da cultura, a cidade daqueles grandes vultos, como o nosso patrocinador e patrono agora - o nosso Senador Pompeu -, senadores outros também de grande importância na cidade, como o senador Joaquim de Oliveira Catunda, o Senador Francisco de Menezes Pimentel, e sem deixar de falar naquele que foi considerado o “Demóstenes Cearense”, que foi o Dr. João Otávio Lobo, e todas as famílias que se distinguiram em Santa Quitéria, tudo isso é muito importante, porque do longínquo século XIX, já existia um senador olhando por Santa Quitéria, lá no tempo do império brilhava um homem político, que foi Senador Pompeu.
Eu estou por demais emocionada, agradeço de coração e com muita intensidade este grande momento, quero cada vez mais que Santa Quitéria faça o que realizou Senador Pompeu, o que ele fez tanto na política e na vida cultural. Nesta hora sinto-me sumamente feliz em agradecer por mim, e se me permitem por todos aqueles que foram agraciados por esta homenagem prestada ao Senador, nosso amigo Senador Pompeu.
Hoje eu experimentei uma emoção meio diferente das que normalmente eu sinto, quando vou participar de alguma festividade e onde meu nome está em pauta. Hoje eu fui tomada de uma emoção bem diferente ao penetrar naquele salão paroquial do tempo do padre João Batista, do tempo em que meu pai chegou para nós e disse: “meus filhos, eu vou usar a madeira da fazenda de vocês, para cobrir o salão paroquial”. Para tantos outros que aqui estão, como Terezinha Lobo Parente, que está aqui também como homenageada. Nós que fizemos parte dos draminhas daqueles festivais para angariar dinheiro para a construção do padre João Batista, o Salão Paroquial que depois passou por uma reforma maravilhosa realizada pelo padre Edmilson e que se transformou neste recanto muito especial. Ao penetrar nele lembrei-me das frases de honestidade do meu pai, quando ainda eu era criança, pois eu o admirava pelo fato de ele doar o que era nosso.
E eu então encontro esse salão paroquial, não naquela estrutura da época, mas produzindo a Santa Quitéria do passado. Nós encontramos aqui verdadeiras obras de arte, nesses instrumentos, nesses objetos que falam bem de perto da nossa vida. Bem perto do tempo em que eu fui criança, no tempo em que fui adolescente e que eu fui estudante; e que eu me casei e aqui entrei nessa cidade, tudo aqui está revelado hoje dentro desta sala. Foi um momento muito bonito, muito importante, muito interessante, que me trouxe imagens, que me fez saudade, mas que me trouxe a compensação da saudade. A saudade como eu defino, são pequenas pinceladas, são pequenos pincéis molhados com bálsamos, para podermos suportar as feridas da vida, quando nós relembramos, como eu relembrei agora, pessoas que se foram, pessoas de Santa Quitéria que se dedicaram a cultura; que se dedicaram a tudo de bom.
Eu falo assim porque eu emprestei esses objetos históricos ao Egberto, eu trouxe aqui para dentro, peças que foram de minha avó, Cândida Lobo de Andrade, nascida no século XIX e filha de Vicente Alves da Fonseca Lobo, que remontam do Instituto do Ceará, quer nas revistas, quer nas documentações antigas, quer nos livros feitos sobre Santa Quitéria, como o do historiador Antônio Bezerra; que fala no meu bisavô, como um grande homem cristão que muito cooperou, por ter ótimas condições financeiras e muita cultura.
É tanta coisa que me acorre à memória. Quando minha mãe morreu, nós éramos pequenos; e minha tia Maria Júlia nos criou com todo zelo, como se fosse nossa própria mãe e foi dessa Cândida Lobo de Andrade que eu emprestei ao Egberto peças que agora à noite eu vi; e que as lágrimas me correram os olhos, peças de sua mini-indústria, ela foi a precursora da mini-indústria em Santa Quitéria, enquanto os filhos estudavam no Rio de Janeiro, na Escola de Guerra, como chamavam o Colégio Militar, outro na Escola de Engenharia em Minas Gerais. Meu avô mandou os filhos para as mais longínquas cidades, onde a cultura podia ajudá-los, então nessa época, minha avó se dedicou simplesmente à vida sertaneja, com meu avô; e lá instalou uma indústria de beneficiamento de algodão e de mamona. Senti muito prazer em entregar ao Egberto o engenho de fio, outro descaroçador manual para tirar o caroço do algodão. Ela tinha um grupo de pessoas, as esposas dos colonos para poder fazer esse serviço, e no século XIX na explosão das grandes máquinas das indústrias, da beleza, da comunicação, do que de tudo existia. De belo, nós não poderemos chamar somente as sete maravilhas do mundo, basta ser o vigésimo ou qüinquagésimo ano, ou a plenitude dos 150 anos de coisas bonitas e boas de nossa querida terra. Então eu evoco novamente a memória da minha avó, da minha avó que fazia trabalhos maravilhosos, e que aos 96 anos trabalhava, mandando fazer todos esses serviços para ter redes bonitas, varandas feitas por ela própria e tudo mais que eu vi na nossa fazenda e na nossa casa da cidade.
Olho para um canto e vejo bem pertinho de mim, o santuário, o oratório da minha tia mãe Maria Júlia de Andrade, aquela mulher que foi educada sem nunca deixar de ser cristã, aquela mulher que foi educadora sem nunca deixar de ser artista, aqui estão expostas as peças da casa. Isso foi para mim um momento muito importante na vida, porque eu sempre digo aos meus netos que eu gostaria de no fim da minha vida, ter uma idéia de que eles guardariam de mim um pouquinho do que eu guardo da minha avó e dessas pinceladas de bálsamo, que hoje vieram para cima de mim. E eu agora estou aqui sem nem saber falar direito, de tão pateta, de tão empolgada que estou com essa verdadeira revolução que foi feita hoje em Santa Quitéria, a revolução pró-arte, a revolução pró-cultura. Que essa semente germine, que essa semente se reproduza, e que daqui a 150 anos, não somente nós, mas quem sabe, surja ainda mais gente aqui também, para dizer que Santa Quitéria está cada vez mais progressiva.
A Santa Quitéria do nosso Senador, aquele homem empolgante, aquele homem que soube ser político, aquele homem que foi uma verdadeira tempestade na história do Brasil e atuou como republicano, representando muito bem a nossa bonita e querida Santa Quitéria. Muito Obrigada!!!
Transcrito por Antônio Arnóbio Gomes Lobo Parente.
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