Biografia Núbia Maria Bezerra de Andrade

Núbia Maria Bezerra de Andrade, uma personalidade. Uma história a contar na trajetória de sua vida.
Nasceu em Santa Quitéria, estado do Ceará, a 18 de setembro de 1922. Filha de Antonio Ernesto de Andrade e Maria de Lourdes Bezerra de Andrade, que residiam na Rua João Pinto de Mesquita, 517. Sua chegada foi motivo de muita alegria para seus pais, que haviam perdido duas filhas: Neusa e Maria Elita. Núbia, dos filhos vivos José Luiz, Ernesto Carlos, Wagner e Rubens, assumiu o lugar de primeira filha do casal. Existia ainda um clima de festa na casa do Coronel Antonio Ernesto, pela comemoração do centenário da Independência do Brasil.
Infância tranqüila até seis anos de idade, quando sua mãe, vítima de septicemia, teve morte inesperada, deixando a família chocada com a ocorrência. A volta da família à Fortaleza, programada para o princípio de 1929, foi substituida por mudanças totais na residência de seus pais. Sua tia Maria Júlia de Andrade, irmã de seu pai, prima de sua mãe e grande cooperadora na educação de seus sobrinhos, assumiu a maternidade de oito crianças órfãs.
Rápidas foram as transformações que mudaram os rumos daquela família. A residência de sua avó Cândida Lôbo de Andrade em Santa Quitéria, passou a ser também residência da nova família que Maria Júlia adotou: José Luiz, Ernesto Carlos, Wagner, Rubens, Núbia, Abner, Eneida e a caçula Elita. Muita compreensão, amor e solidariedade humana foram responsáveis pela rápida adaptação e aceitação por parte das crianças. Infância muito bem assistida do ponto de vista educacional e cultural, fez de Núbia uma garota especial, tanto em família como na sociedade. Seu comportamento na Igreja, na escola ou outro ambiente qualquer em que se apresentasse, somava ponto nos comentários da pequena vila.
Primeira comunhão feita em Santa Quitéria, fundadora da Cruzada Eucarística, onde funcionou como secretária e presidente e mais tarde sócia de todos os movimentos cristãos, quer na infância, quer na adolescência. Havia um movimento na formação de um grupo cênico dirigido por Mariquinha Andrade, Madeirinha Catunda e outras, com a finalidade de levar ao público peças dramáticas cristãs (cômicas, às vezes), onde Núbia sempre era uma personagem em evidência. Nas Escolas Reunidas também havia um grupo cênico dirigido por Dona Ernestina Forte Alves Catunda de Mesquita, professora que muito se interessou por esse movimento cultural.
Núbia foi sempre uma das declamadoras para apresentar os grandes poemas. Simpática, inteligente e muito bem orientada, tornou-se conceituada na cidade. Terminou o curso primário nas Escolas Reunidas de Santa Quitéria, onde desfrutou de todas as referências e promoções. Cedo formou-se no meio cultural e fez parte, ainda muito jovem, da Ala Cultural dos 12, cooperando sempre com poemas de Castro Alves, Olavo Bilac, Guerra Junqueira e outros.
Em casa, dedicou-se muito às suas irmãs, principalmente Elita, nos jogos de salão, charadas, noviças e declamações. No arquivo da família, ainda é encontrado um belíssimo álbum com o Brasil dividido em estados, feito por ela com muita dedicação e inédito até o momento. Esse álbum foi orientado e complementado por sua tia-mãe Maria Júlia, que era uma artista por excelência e também professora das Escolas Reunidas de Santa Quitéria.
Todas as oportunidades que tinha de promoção, Núbia soube aproveitar na sua adolescência e juventude. Era alegre, gostava de festas e principalmente de ajudar a tia-mãe em qualquer necessidade em benefício de seus irmãos órfãos.
Em meados de 1940, ensinava e incutia em sua irmã menor, Elita, tudo que aprendia, tudo que fazia. As duas colecionavam álbuns de poesias, sonetos e canções da época. Muitos desses álbuns ainda existem guardados por elas nos arquivos familiares. Na mesma época, Núbia fez o curso de datilografia em Fortaleza, recebendo do Patronato Nossa Senhora Auxiliadora, o diploma de Datilografia, concedendo-lhe o direito de ensinar em qualquer local do Brasil. Desde então, até os últimos anos de sua lucidez, passou a ensinar, como forma de realização pessoal em ajudar ao povo e instalar uma escola que não existia na cidade, a Escola de Datilografia Nossa Senhora de Fátima.
Em sua residência, as revistas, folhetos e almanaques da época, cooperaram para que as duas irmãs adquirissem muitos conhecimentos gerais. Eram comumente solicitadas para falar sobre as Sete Maravilhas do Mundo, poetas brasileiros e portugueses, e, ainda hoje, encontra-se em sua mini-biblioteca livros espalhados do tipo "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas".
As prendas domésticas faziam parte do lazer. Rendas de bilros, bordados à mão, ponto de cruz, crochet e muitos outros trabalhos preenchiam o seu tempo de jovem sonhadora, inteligente e possuidora de diversos conhecimentos gerais.
No início dos anos 50, dona Aracy Magalhães Martins, poetisa, responsável pelo hino pátrio e do centenário do município que temos, fundou com dona Maria Júlia de Andrade, Maria Arlinda de Paula Lôbo, Mariquinha Andrade e Maroquinha Lôbo, a Sociedade Particular de Assistência Social em Santa Quitéria, que funcionou em prédio erguido por Antonio Ernesto de Andrade, em terrenos da Poltrinha. De muita valia se tornou esse prédio na história de Santa Quitéria, e sob a direção de dona Aracy, constava Núbia como Secretária responsável pela distribuição de donativos para a sociedade carente, e depois como Visitadora, fruto do curso que fez na Delegacia da Criança, em Fortaleza, com patrocínio de Dr. Bibiano Camêlo, médico da terra.
Durante o tempo que Núbia trabalhou na Sociedade, prestou serviços relevantes ao pobre da então Santa Quitéria. Era um dos braços-fortes de dona Aracy, entre muitas que trabalharam com a mesma, e responsável por quase todas as seções da Sociedade.
Como catequista, Núbia teve seu lugar especial. Diplomas dados pela Paróquia de Santa Quitéria fazem parte de seu acervo.
No princípio dos anos 60, Núbia recebeu do SESP - Serviço Especial de Saúde Pública no Ceará - um diploma para funcionar especificamente no Centro de Saúde de Santa Quitéria, como Secretária, Visitadora e Atendente. Ali o trabalho social de Núbia na área sanitária atingiu o ápice. Função esta que desempenhou até o fim do SESP em Santa Quitéria. Ainda nos anos 60, Núbia fez um curso especial de psicologia em Sobral com duração de uma semana, no fim do qual foi diplomada.
Em sua caminhada incansável pela cidade, consta sua pessoa como Secretária Geral do Condomíinio da Família Bezerra de Andrade, do qual pertence. Coordenadora, pacificadora, não deixou ocorrer atrito entre os condôminos. Sempre amiga dos irmãos, trabalhou em conjunto com eles, com muita coerência, até o dia do acordo celebrado entre os mesmos, em que cada um passou a dirigir o seu quinhão.
Não foi somente no Posto de Puericultura e no SESP que trabalhou em prol da comunidade carente e da sociedade em geral. Núbia foi muito além! Dirigu a Escola Profissional da Fundação José Furtado Leite, com maestria e interesse pelo aprendizado do povo de sua terra.
Para não fugir às tradições políticas da família, principalmente as de seu pai Coronel Antonio Ernesto de Andrade, que em três legislaturas consecutivas foi eleito, ocorrência inédita até hoje na história do município. Núbia também foi eleita vereadora. Fez parte do Poder Legislativo de Santa Quitéria de 31 de janeiro de 1983 à 31 de janeiro de 1989, onde funcionou como Secretária, Vice-Presidente e por último Presidente.
Como aposentada dos cargos que ocupou, suas atividades voltaram para outros setores, como agropecuarista e latifundiária, em parceria com seu irmão Rubens. Instalaram uma capineira e um sistema de silos de fermentação, tudo dentro dos moldes modernos e da tecnologia da época.
Em família, nada deixou a desejar. Cedo tornou-se grande cooperadora na educação de todos os seus sobrinhos, sem restrições, o que dispensa comentários. A homenagem que lhe é prestada hoje pelo Instituto Pró Memória é a expressão do sentimento de minha família para com a Tia Nubinha.
Elita Andrade Medeiros
Santa Quitéria, 28 de agosto de 2007.
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